pt  en


SALVÍFICOS MOVIMENTO #2— FÁBULA
SESC PUSAR 2026




Anel de luz  (140cm de diâmetro), QRcode e interfaces físicas e digitais on e off-line. Dimensões Alt. 300cm X Larg.500cm X Prof.1000cm.




Utilize o leitor do código de barras do telefone móvel apontado para o “retrato modelo” (Rugendas - Mina) e acesse sua possível origem africana via leitura de sua face. Os testes algorítmicos mostram o caminho para sua ancestralidade e suas origens, oferecendo resultado em minutos. Desvende a sua história sem testes de DNA e encontre “pares” que partilham de singularidades contigo.



︎︎︎





Salvíficos movimento #2 — fábula
2026


No universo on e off-line, é preciso considerar a acronia e a atopia presentes nas interações das pessoas com as interfaces digitais em rede. Assim, o audiovisual expandido “Salvíficos movimento #2 — fábula” investe na audiência e no contexto local em diálogo com o binômio espaço-tempo. A obra, que contempla o “anel de luz” somado às interfaces coadjuvantes que ocupam toda a galeria do Sesc Duque de Caxias, é uma interface para retroalimentação e, ao colocar em questão os padrões imagéticos, possibilita refletir o quanto estes, presentes nas redes digitais são colonizados e colonizadores, não muito diferentes no universo físico.

Enquanto em 2022, no audiovisual expandido “Salvíficos movimento #1 — ensaio mnemônico”, o público interagia com um jogo de arcade (fliperama), em “Salvíficos movimento #2 — fábula”, obra comissionada pelo edital Sesc Pulsar, o público terá acesso, pelo celular, após a leitura do QR code contido no “anel de luz”, ao interativo jogo afrodiaspórico e, consequentemente, à indicação de uma possível ascendência, resultante da problematização dos algoritmos racistas. Trata‑se de um questionamento que emprega a parametrização por aprendizado de máquina (IA), baseada em um banco de dados construído com fotos de rostos contemporâneos de negros africanos — padrões indexados e hospedados na plataforma on-line do projeto.

Após desvendar essa possível ascendência sem testes de DNA, o interator poderá continuar sua jornada ao interagir com o jogo gráfico presente dentro do reino em que foi inserido: os “9 reinos”, nove joguinhos ao todo. Há jogos gráficos baseados em diferentes reinos, como Angola, Congo, Malungo e Moçambique, nos quais os jogadores ajudam a rainha Nzinga a libertar os prisioneiros, acertam trajes do rapazinho sapeur, criam canções ao movimentar barquinhos de origami e recodificam a ilustração de Rugendas ao inserir na imagem códigos imagéticos das atuais juventudes periféricas do Brasil, arte na ação e performatividade enquanto conhecimento, pois, a cada nova interação, você tem uma nova narrativa audiovisual.

O tripé com o “anel de luz” (ring light), bastante usado para produção de conteúdo na internet, a principal interface física de Salvíficos #2, suporta subcamadas tecnológicas numa junção do espacial e do temporal como forma de ativação de memórias. Ele foi customizado em alusão ao bastidor para bordado, com fios de sisal para sustentar uma cópia em tecido de uma imagem de Rugendas (1835) e, na base do tripé, temos os textos críticos que, contidos por pedras, podem ser levados pelo público. Isso posto, pode-se inferir que há ruídos e deslocamentos em prol de processos de subjetivação, pois se tem em sua interface física diferentes tecnologias, tais como pedra, papel, metal e informação, que fomentam a fábula em questão — o que é visto? O que é lembrado? O que é sugerido?

A imagem capturada enquanto dado não se refere mais a uma fotografia analógica, mas a parâmetros informacionais esquadrinhados por codificação via inteligência artificial. Daí a pertinência de disponibilizar a interação com esta obra e problematizar a insistente opressão étnica — discriminações e preconceitos —, o que cria possibilidades de contrapontos à narrativa única e a outros possíveis padrões imagéticos.

Assim, ao analisar o QR code próximo às escarificações do rosto da mulher Mina, do artista alemão Rugendas (1802–1858), célebre por registrar visualmente durante o século XIX os países latino-americanos colonizados, verifica-se o caráter disruptivo ao considerar os reinos atlânticos e o tempo pretérito quando lembramos a imagética imposta aos afrodiaspóricos.


Bate-papo








Oficinas





Larissa Macêdo         &         João Simões

   ︎